quinta-feira, 29 de junho de 2017

NOTA DA UNIDADE CLASSISTA PARA O SINTE/SC

Os ataques à classe trabalhadora não tem fim. O ilegítimo governo Temer (PMDB/PSDB) segue sendo alvo de denúncias gravíssimas e com apoio dos setores que assaltam nossos direitos (uma verdadeira quadrilha está no poder) e querem destruir qualquer possibilidade de futuro. Os dois conjuntos de ataques, a reforma trabalhista e a reforma da previdência pública nos afetam diretamente e toda a classe trabalhadora e os mais pobres. Continuam na pauta de votação, com total apoio dos setores empresariais, da mídia, de toda burguesia (FIESC, CNI, FeComercio, Rede Globo, RBS, etc. ).

No primeiro conjunto de ataques temos a situação da profunda reforma da previdência que visa alterar a idade de aposentadoria. Para nós, trabalhadores da educação, significa perder uma condição de aposentadoria especial. Para uma profissão que envolve um profundo desgaste físico e mental, essa perda de direito é significativa. Isso se agrava no que tange as mulheres, imensa maioria no magistério, que ainda têm de enfrentar uma tripla jornada no seu dia a dia. Para as mulheres trabalhadoras se trata de um imenso ataque, pois vai deixar as suas condições de vida e saúde muito mais precárias. Esse pequeno recorte do que representa o ataque a previdência pública é só um exemplo do que vem por ai. Com relação a reforma trabalhista, a perda de garantias, a terceirização também afetam os trabalhadores da educação. Esta reforma nas leis trabalhistas atingirá de forma profunda a relação capital/trabalho, afetando os jovens e precarizando os serviços do Estado com terceirizações. Muitos desses jovens deixarão de frequentar os espaços de educação e perderão formação mais digna. As escolas serão transformadas em espaços de formação para atender as demandas do mercado. Escolas serão fechadas, empregos serão perdidos. Empresas gestoras serão criadas para “gerenciar” esses espaços de “educação”. Não bastasse tudo isso, temos péssimas condições de trabalho, com salas superlotadas, falta de laboratórios e materiais, nos deixam em condições muito mais precárias para conseguirmos efetivar uma proposta de educação que emancipe os filhos da classe trabalhadora. E, ainda temos um acúmulo de perdas salariais.

Motivos para aderir à Greve Geral nacional do dia 30 de junho não nos faltam. Não podemos ficar parados nesse momento. É necessário fazer pressão nas direções sindicais para ampliar o diálogo com a base e construir uma greve geral. Devemos repudiar a política de conciliação com os governos e impor derrotas a essa pauta de ataques. O momento é dramático para os trabalhadores, e o SINTE-SC, como representante da maior categoria dos servidores públicos do Estado de SC tem de ser protagonista na luta. Além disso, nós trabalhadores da educação dialogamos com uma parcela significativa da população. Parcela que será atingida em cheio por essas reformas. Por esses motivos e por entendermos que a luta se faz nas ruas e nas bases, defendemos:

- Uma política de contrainformação sobre os ataques produzida e amplamente divulgada pelo sindicato, que realmente chegue às comunidades escolares e faça frente a propaganda oficial!

- Pela imediata realização de uma Assembleia Estadual da Categoria!
- Greve do magistério por tempo indeterminado, até que derrotada a pauta de ataques à classe trabalhadora!

E, bradamos CONTRA:

➢ A reforma da previdência;

➢ A reforma trabalhista;
➢ A reforma do ensino médio;

QUEREMOS:

✓ A reposição das perdas salariais;

✓ O abono das faltas de greve;
✓ O fim das perseguições políticas nas escolas;
✓ A realização de concursos públicos para magistério catarinense;

TODOS À LUTA!

Fora Temer! Fora Colombo! Fora Deschamps! Rumo à Greve Geral!
Construir o ENCLAT - Encontro Nacional da Classe Trabalhadora!

sábado, 11 de março de 2017

Resistir aos ataques à Previdência e à CLT

Vivemos uma conjuntura catastrófica: mais de 22 milhões de trabalhadores/as desempregados/as; 6,2 milhões de famílias sem moradia digna; serviços públicos deteriorados; salários desvalorizados (muitos pagos com atraso); jornada de trabalho cada vez mais longa e intensa; proliferação das terceirizações e da precarização. Como se isso não bastasse, temos sido forçados a conviver com um governo federal ilegítimo. Os golpistas aprovaram a PEC 55, como exigia a burguesia, congelando investimentos públicos pelos próximos vinte anos! O pagamento de juros da “dívida pública” foi garantido, enquanto direitos sociais previstos na Constituição, como saúde e educação, terão cortes reais ano a ano.

A previdência não está quebrada. Quem a quebra é o governo, ao desviar bilhões do fundo para o pagamento de juros da dívida, muito mais do que o chamado "rombo". Querem quebrá-la para termos de pagar previdência privada e dar lucro aos bancos. Não querem "modernizar" a CLT. Querem, sim, retirar direitos trabalhistas para aumentar nossa exploração e aumentar o lucro dos grandes empresários. Tudo isso é levado a cabo pelo governo Temer, “puro-sangue da burguesia”, que veio para aprofundar a exploração capitalista e o desmonte do Estado iniciado pelos governos anteriores.

Conheça os principais ataques contra nós trabalhadores/as:

Contra-reforma da Previdência

> Tempo mínimo de contribuição de 49 anos para receber a aposentadoria integral;
> Idade mínima de 65 anos para aposentadoria para homens e mulheres (incluindo agricultores), aumentando o tempo médio de contribuição do brasileiro em dez anos;
> Valor da aposentadoria passa a ser calculado pela média de todas as contribuições, sem retirar as 20% menores contribuições;
> Fim da aposentadoria integral por invalidez, exceto para acidente de trabalho;
> Redução do valor da pensão por morte para 50% da aposentadoria;
> Aumento do tempo para aposentadoria especial (trabalho em condições insalubres);

Contra-reforma trabalhista

> A jornada de trabalho poderá aumentar de 8 para 12 horas diárias. Na prática, isso significa uma redução no pagamento das horas extra;
> Fim dos planos de cargos e salários;
> Ampliação do banco de horas, na prática outra forma de reduzir salários;
> Vinculação da remuneração à produtividade;

A Unidade Classista faz um chamado a todos os trabalhadores, entidades combativas e movimentos populares para cerrarmos fileiras contra as medidas do governo construindo uma greve geral em 2017. Urge a realização de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora para definir os rumos da resistência e da contraofensiva do trabalhador, que é quem produz as riquezas do país.

Unir os trabalhadores para barrar os ataques do capital !
Unir as lutas para emancipar a classe trabalhadora !

Unidade Classista Santa Catarina

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Nota do comitê de base PMF e COMCAP



É HORA DA CLASSE TRABALHADORA CONTRA ATACAR

“Que 2017 seja explosivo: de amor, de luta, de sorrisos escandalosos! Muitas explosões” (Elenice Rosa)

Saudações, colegas trabalhadores e trabalhadoras da PMF e da COMCAP!
O ano de 2017 se inicia com a sensação de que 2016 não acabou! Tivemos que encerrar o recém findado ano dentro da Câmara dos Vereadores, pressionando os mesmos para que não aprovassem um pacote de medidas enviado pelo então prefeito Cesar Souza Junior, sendo que dentre as medidas estava colocada a tentativa de mais um parcelamento da previdência dos servidores, buscando com essa manobra obter respaldo legal para o rombo e uso inapropriado que faz dos recursos de nossa previdência. Conseguimos fazer com que a proposta do pacote ainda não tenha sido aprovada, porém, ela segue tramitando na Câmara. Essa foi a última tentativa de ataque aos trabalhadores da PMF que aquele prefeito realizou, findando um mandato que teve como marca registrada a mediocridade, o desrespeito e a precarização para com os serviços à população e com os trabalhadores da PMF e COMCAP, ao mesmo tempo que todas as benesses e ações políticas foram realizadas para os ricos e grandes empresários da cidade.
Porém, não bastasse a manobra anterior, ainda no apagar das luzes do ano de 2016 os trabalhadores da PMF ficaram sabendo que aquele prefeito não pagaria o salário integral de parcela dos trabalhadores, nem as pensões, aposentadorias, férias e rescisão de contrato dos ACTs. Por outro lado, se alguém pensava que com o novo prefeito chegariam boas notícias, é preciso que saiba que o ano de 2017 iniciou com Gean Loureiro assumindo a prefeitura trazendo uma mensagem clara de qual marca pretende dar em seu governo: a austeridade!
A reportagem do Diário Catarinense, já no dia 02/01/2017, intitulada “Na primeira reunião com secretários, Gean admite que terá dificuldades para pagar salários de janeiro” deixa clara que Gean Loureiro seguirá com as práticas e discursos do antigo prefeito. Interessante é que a desculpa do antigo prefeito, para não pagar a integralidade dos salários, aposentadorias, pensões, férias e rescisões dos ACTs, era de que um repasse do governo federal seria realizado apenas no dia 30 de dezembro e, portanto, não haveria tempo hábil para creditar os valores nas contas dos trabalhadores antes do final do ano. Agora, o novo prefeito assume e não faz sequer uma referência a esses tais recursos, alegando que necessitará de, no mínimo, 10 dias para pagar o que nos deve, pois necessita receber recursos do IPTU para ter dinheiro em caixa. Ora, mas cadê o dinheiro do repasse do governo federal que antes existia no discurso e agora não entra na conta? Claramente, estão tentando nos engambelar. NÃO DEIXAREMOS! Não bastasse todo esse engodo, o prefeito que assume já aponta para dificuldades de pagar os salários de janeiro de 2017.
As primeiras manifestações da administração que agora assume a prefeitura, demonstram que teremos um ano onde somente uma organização forte com lutas e ações de peso permitirão que os trabalhadores da PMF e da COMCAP não tenham suas condições de trabalho ainda mais precarizados e os salários mais defasados! Neste contexto, é dever da direção do SINTRASEM assumir com firmeza e empenho seu papel de informar e dialogar com a base dos trabalhadores nos locais de trabalho. E isso desde já, para que todos os trabalhadores estejam informados e se coloquem como sujeitos catalizadores das necessárias mobilizações que teremos pela frente neste ano!
Ao prefeito Gean, terá que ser repassada a clara mensagem de que os trabalhadores não seguirão arcando com os desmandos de gestões passadas ou de quem agora está à frente da prefeitura. Que o prefeito cumpra seu discurso de campanha e abra as contas da prefeitura e demonstre o que aconteceu com o dinheiro que a prefeitura arrecadou, ou mesmo deixou de arrecadar com isenções fiscais de grandes empresários do município. Não seguiremos deixando a prefeitura utilizar recursos de nossa previdência, precarizações de nosso trabalho, não pagamento de salários ou reajustes abaixo da inflação, férias, aposentadorias, pensões, rescisões de ACTs, desmantelamento e privatização da COMCAP para facilitar a vida dos grandes empresários, muitos dos quais são grandes devedores na dívida ativa deste município.
Caso as ações políticas da prefeitura sigam colocando em nossas costas o ônus de uma situação que não fomos nós quem produzimos, nossa resposta terá que ser a de uma gigante, bem articulada e coesa MOBILIZAÇÃO e GREVE que diga: PERDEMOS A PACIÊNCIA! Não seguirá governando em nosso nome para essa pequena parcela de ricos e exploradores! Não com o nosso suor e, muitas vezes, com nossa saúde, pelas intensas pressões a que somos submetidos em nossos trabalhos, através das precárias condições estruturais e pelo baixo número de trabalhadores para todas as tarefas que precisamos realizar!

Os ataques são à classe trabalhadora
Como todos os colegas já sabem, estamos passando, em nível nacional, por um processo que pretende impossibilitar a aposentadoria dos trabalhadores. Além disso, o governo Temer propôs o congelamento, por 20 anos, da ampliação dos investimentos em saúde e educação, bem como, busca modificar a legislação trabalhista, de modo a ampliar a precarização da vida dos trabalhadores. Isso tudo, ao mesmo tempo em que sequer é tocado o assunto da dívida pública, a qual drena mais de 45% do Orçamento Geral da União para o pagamento de juros e amortização de uma “dívida pública” que jamais foi auditada. Se deixarmos esses ataques se concretizarem, serão efetivados retrocessos nos direitos sociais e trabalhistas que nos conduzirão de volta ao período anterior a Era Vargas. Isso porque, aquele período é o marco de quando os trabalhadores conseguiram arrancar esses direitos, por meio de intensas lutas, isso quando as greves eram ilegais o que dificultava ainda mais a realização das mesmas. Tais direitos foram mantidos, com alguns avanços e retrocessos, até o período atual, também na base de lutas. Sendo assim, precisamos ter clareza que somente mobilizações e organizações em nível nacional podem reverter a correlação de forças para que consigamos resistir à organização e mobilização nacional que os patrões, o Estado e as grandes corporações midiáticas estão realizando para liquidar com os parcos direitos que ainda possuímos.
É diante da necessidade de uma articulação nacional dos trabalhadores e trabalhadoras, para resistir aos ataques e avançar nas conquistas, que está sendo convocado para este ano de 2017 um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (ENCLAT), que nós da Unidade Classista estamos contribuindo na organização. Fiquem ligados e busquem maiores informações, pois quem sabe mais luta melhor.
Ousar lutar, ousar vencer!
Florianópolis, Janeiro de 2017.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Derrotar a PEC da morte – 55 (241)! Resistir e construir o poder popular!

Coordenação Estadual da Unidade Classista – SC


A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nº 55 (que tramitou na Câmara dos Deputados sob o nº 241), estabelece um novo regime fiscal no país e define o valor máximo que o governo pode gastar com despesas primárias, que incluem a saúde e a educação, nos próximos 20 anos.
Se a PEC entrar em vigor em 2017, o orçamento disponível para gastos será o mesmo de 2016, acrescido apenas da inflação anual. Nos anos seguintes, a regra segue sendo esta: repasse dos valores gastos no ano anterior acrescidos da inflação, sem nenhum valor a mais. Além de reduzir os investimentos sociais, caso a PEC 55 seja aprovada, o salário mínimo será diretamente afetado, e os aumentos serão no máximo para reposição de perdas inflacionárias, não havendo mais ganho real para os/as trabalhadores/as.
Não há outro caminho para os trabalhadores e as forças populares senão intensificar, nas ruas, nos locais de trabalho, moradia e estudo, as lutas contra as medidas adotadas pelo governo Temer, tal como a PEC 55. De igual forma, projetos reacionários como a reforma do ensino médio e a falsamente denominada “Escola Sem Partido” (Escola sem pensamento crítico, na verdade), as reformas da previdência e trabalhista representam mais ataques e golpes contra os direitos dos jovens e trabalhadores.
É preciso garantir a construção democrática de um amplo Bloco de Lutas com as organizações políticas anticapitalistas e o movimento sindical e popular, por meio de um Encontro Nacional das Classes Trabalhadoras e do Movimento Popular capaz de elaborar um programa mínimo de lutas contra o capital.
Somente através de um processo unitário que coloque em movimento a frente anticapitalista e antiimperialista, será possível enfrentar o avanço da direita, derrotar politicamente o governo Temer e obter melhores possibilidades para a luta no rumo do poder popular e do socialismo no Brasil.
FORA TEMER!  RUMO À GREVE GERAL!

Santa Catarina, 29 de Novembro de 2016

terça-feira, 15 de novembro de 2016

GOLPE NO SINTE/SC!



No dia 18 de outubro de 2016, ocorreu a última reunião do conselho deliberativo dessa entidade, que tem como finalidade debater e avaliar a conjuntura e retirar a política e ações do SINTE-SC para o momento em que vivemos. Na pauta convocatória dessa reunião estava:

– Mesa de Debate sobre a Reforma do Ensino Médio;
– Informes;
– Análise de Conjuntura;
– Encaminhamentos;
– Outros;
– Sessão Solene Homenagem 50 anos do SINTE/SC.

A ideia central da reunião era o debate da conjuntura e ações imediatas e a médio prazo para enfrentamento da crise política. Ocorre que no início da reunião foi proposto a inclusão no tópico “Outros”, a deliberação sobre critérios de escolha de delegados para o Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o que foi prontamente aprovado. Porém, a atual direção sindical, composta pela CUT, deu um golpe na reunião do conselho. No ponto da reunião  “Outros” onde foi incluído a escolha de critérios, a direção Cutista resolveu fazer a eleição de delegados ao 33ª Congresso da CNTE. Ao fazer tal procedimento, cometeu flagrante desrespeito ao encaminhado como proposta de inclusão de pauta (deliberação de critérios para escolha de delegados) e também ao conjunto de seus filiados que ficaram sem a possibilidade de debater tal questão.
A direção Cutista claramente usando desse subterfúgio impediu o debate na base e com demais forças políticas. Primeiro garantiu que não iria se realizar uma assembleia estadual, onde esse processo de eleição de delegados deve obrigatoriamente ser apreciado pelos membros do sindicato, ou seja, não quer discutir com a base. Segundo, passou por cima daquilo que estabelece o estatuto da própria CNTE, que expressamente determina que os delegados sejam eleitos ou referendados em assembleia da categoria. Terceiro, ao não enviar o ponto de deliberação de critérios para eleição de delegados antecipadamente e, realizando a inclusão e eleição de delegados no mesmo dia da reunião do conselho, impediu que conselheiros fizessem o debate nas suas bases, aleijando o processo de escolha e compreensão do tema.
Dada essa situação, coube à oposição entrar com ação judicial (ocorrido na segunda dia 14/11) para resguardar a lisura nesse processo, anular essa decisão e que se convoque a referida assembleia estadual para a eleição de delegados.
Cabe ressaltar que até o presente momento nem a ata completa da reunião do conselho deliberativo foi divulgada, o que é um flagrante desrespeito com nossa categoria, e que visa somente esconder as informações relevantes de nosso sindicato dos seus filiados.
Diante disso apontamos que somente com um sindicato desburocratizado e junto às bases poderemos derrotar todos os ataques que estão vindo para cima de nós, e não com essas práticas golpistas e antidemocráticas, que visam apenas proteger aqueles que dentro do sindicato se encontram.
A Unidade Classista SC denuncia a postura burocrática e antidemocrática e convoca todos e todas que prezam por um sindicalismo transparente e de luta a exigir da direção estadual do SINTE-SC a realização de assembleia para a correta eleição de delegados/as ao congresso da CNTE.

Florianópolis, 15 de Novembro de 2016.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Aos professores da rede estadual admitidos em caráter temporário (ACT's)

                                       
Nota política aos professores ACT's da base do SINTE/SC

Todos os anos, o governo catarinense busca manter o processo de humilhação para com os professores ACT's. No último período, além de terem as precárias condições de trabalho e as péssimas condições salariais, passamos a sermos horistas, a trabalhar numa infinidade de escolas e de turmas, inviabilizando uma relação pedagógica de qualidade. Tudo isso demonstra o nível de preocupação com a educação por parte desse (des)governo estadual.
O que se coloca no próximo período com as propostas que atacam diretamente a educação como a PEC 241, que pretende congelar os gastos em educação por 20 anos, é desmontar completamente a já precária estrutura escolar que temos. A reforma curricular do ensino médio, proposta pelo governo golpista de Michel Temer, estruturada e apoiada pelo governo de SC através do seu secretário de Educação Eduardo Deschamps, elimina conteúdos importantes como Filosofia/Sociologia/Educação Física/Artes, e também de retirar o elemento da formação na área da educação para lecionar, com os tais professores de "notório saber", que poderão ser qualquer um com qualquer formação. Ainda nesse cenário temos a Lei da Mordaça que visa a limitar nossa liberdade de expressão e atuação pedagógica.
São marcas dos tempos sombrios que vivemos. Assim, nos resta, nos organizarmos para resistir a essa brutal ofensiva contra os trabalhadores e em defesa da educação pública. A Unidade Classista conclama a todos os professores a se engajar na luta e na resistência contra o golpe, contra o arrocho dos nossos direitos. É preciso dar um basta nesses ataques. É preciso organizar a luta em comitês, fóruns e no sindicato. 

Fora Temer! Fora Colombo! Fora Deschamps! Rumo à Greve Geral! Construir o ENCLAT - Encontro Nacional da Classe Trabalhadora!

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

NOTA DA UNIDADE CLASSISTA SOBRE A PROVA FLORIPA


          Com a proximidade da aplicação da Prova Floripa nas escolas da RME/PMF, nós, da Unidade Classista, vemos a necessidade de explicitar um posicionamento claro em relação à mesma. Entendemos que todas as avaliações externas à escola, mesmo que de forma obscura, possuem intenções políticas nocivas ao processo educacional, seja como mecanismo de controle social, seja com o objetivo de regular os investimentos em educação.
As avaliações externas (Prova Brasil, Prova Floripa, dentre outras) caminham na lógica traçada pelos Organismos Internacionais (Banco Mundial, FMI, BID) para a Educação Pública dos países periféricos do capitalismo globalizado, qual seja, uma educação voltada basicamente para a instrumentalização (mínima) para o mercado de trabalho. Na divisão social globalizada do Trabalho não cabe aos trabalhadores brasileiros papel de destaque na produção do conhecimento e tecnologias, em especial aos estudantes de escolas públicas!
Para convencer os trabalhadores, as avaliações externas são apresentadas carregadas de termos característicos das bandeiras de luta dos professores como: democracia, qualidade de ensino, justiça social, entre outros. Todavia, estes assumem significados que não estão de acordo com nossas lutas. Por exemplo: a qualidade pregada nessas políticas são baseadas em fluxo de alunos e notas obtidas em seus exames, negligenciando as condições de trabalho dos profissionais da educação e de aprendizagem dos alunos e, muitas vezes, indo contra o Projeto Político Pedagógico (PPP) da instituição de ensino.
            A finalidade dessas avaliações não parte da valorização do processo educacional e da formação dos alunos, mas é reflexo das demandas impostas pelos organismos internacionais, para a formação de trabalhadores para o mercado de trabalho, com um maior grau de escolaridade, sem possuir efetivamente maior apreensão de conhecimentos. Promovem, na verdade, a intensificação de elementos como a competição e a meritocracia, inclusive entre as próprias escolas e os seus profissionais, ao estabelecer um ranqueamento das instituições a partir das notas do IDEB. Notas essas que, para atingir valores satisfatórios, implicam em fomentar políticas que em nada auxiliam no processo de ensino - aprendizagem, como a instauração da Progressão Automática, a fim de elevar os índices de aprovação e economia de recursos públicos.
Essas avaliações se centralizam no instrumento de provas aplicadas aos estudantes e focam em algumas disciplinas, principalmente Matemática e Língua Portuguesa para traçar o nível de aprendizagem dos alunos e das escolas. Desta forma, nega a educação integral do ser humano baseada na aquisição dos conhecimentos (de todas as áreas!) produzidos historicamente pela sociedade, além do desenvolvimento das dimensões artísticas, culturais e políticas do ser humano.
Se não bastassem essas limitações, por trás dos testes padronizados encontramos uma política educacional ainda mais perversa. O chamado “Accountability”, ou seja, a responsabilização dos resultados que caem nos ombros dos professores, diretores e equipes pedagógicas das escolas, como se esses fossem os grandes culpados pelos maus resultados. Do outro lado vemos acontecendo em vários estados e municípios um processo avançado de meritocracia baseada nos resultados dos exames. Professores, diretores e equipe pedagógica recebendo bonificação em dinheiro por conseguirem bons resultados de seus alunos nos exames. Toda essa lógica vem desvirtuando o objetivo da educação. Já ocorrem cursos de formação para professores melhorarem os índices de seus alunos, venda de apostilas padronizadas com o mesmo objetivo e já encontramos diversos relatos de escolas que fazem cursos “Pré Prova Brasil” inclusive com aplicação de simulados aos alunos! Desta forma o Projeto Político Pedagógico da escola fica em segundo plano e todos os esforços são voltados para o objetivo de obter bons resultados nos exames externos e alcançar um alto no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Nesse sentido, apontamos a necessidade urgente de combater essas avaliações que não consideram a realidade do sistema educacional - no sentido de valorizar e melhorar efetivamente as condições dos trabalhadores e o processo de aprendizagem dos alunos - mas que buscam, apenas, implementar políticas de atendimento aos interesses dos setores empresariais.

Por esses motivos, nós, da Unidade Classista Florianópolis, nos posicionamos contrários às avaliações externas e nos colocamos ao lado dos professores que defendem a NÃO aplicação das provas aos estudantes!
Por uma Educação Integral, Crítica e Transformadora!

Florianópolis, 18 de Outubro de 2016
COORDENAÇÃO ESTADUAL DA UNIDADE CLASSISTA SC